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No meu Palato

No meu Palato

Hasso | Apelo selvagem

"Que tal uma aventura, daquelas que não aparecem nos mapas? Nós poderíamos ir, tu e eu, aonde ninguém nunca esteve. Ver o que há por aí..."  Jack London

HassoBuck é um cão que se vê arrancado do conforto da quinta onde nasceu e lançado numa vida dura e perigosa no Yukon, um local perigoso e onde tudo pode acontecer.  Na dureza do Alasca e em plena corrida ao ouro, Buck tem de aprender a (sobre)viver com quase nada e a adaptar-se à exigência e à crueldade dos seus sucessivos donos, até que conhece John Thornton. Um velho de olhar bondoso e que percebe não só a sua inteligência mas também a sua nobreza, e de quem Buck se torna um amigo fiel, leal e devoto, salvando-lhe a vida por inúmeras vezes.

HassoEste é um resumo "muito resumido" do livro "O Apelo Selvagem" de Jack London. Uma das coisas que mais me chamou a atenção neste livro é a mudança no instinto/personalidade do cão, que aliado ao modo como London conduz a história faz com que o leitor se sinta a mudar também, sobretudo na maneira como encara o desenrolar da história. Assistimos assim, de maneira muito próxima,  à passagem de um cão doméstico para ... um lobo selvagem.

HassoNão vou acrescentar muito mais sobre o livro (não quero ser spoiler) sobretudo por ainda estar em exibição um filme protagonizado por Harrison Ford (grande interpretação) que é baseado nesse livro, no entanto, quer Buck quer Thornton, na parte final da narrativa encaram com elegância um apelo selvagem do lugar a que agora ambos pertencem.

HassoE é precisamente na procura de uma interpretação mais delicada de um terroir mais rústico  que a Kranemann Wine Estates (propriedade de Christoph Kranemann) deu mais passo na sua estratégia de produto, lançando no mercado a marca Hasso. Vinhos de entrada gama, esculpidos pelo enólogo Diogo Lopes e pela enóloga residente Susete Melo, que propõe um perfil de grande frescura e elegância, consequência da altitude no Vale do Távora. 

HassoCuriosamente e coincidentemente (ou não ;)) a inspiração para a marca Hasso resulta do carácter descontraído e divertido do fiel parceiro que acompanha a família Kranemann, o Hasso, cão de raça Leão da Rodésia que surge no rótulo dos vinhos. Esta imagem, refira-se, arrecadou um Trophy, prémio máximo no “The Wine Design Challenge 2020”, para a categoria “new design of a Wine Brand”, na competição organizada pela prestigiada revista inglesa “Drinks International”, que valorizou a abordagem “clean”, moderna e descomplicada.

HassoO Hasso Branco 2018 (6.90€, 89 pts.) traja uma cor amarelo-citrina com ligeiros apontamentos esverdeados e notas muito puras a maçã verde, limoeiro, pêssego, limonete e um ligeiríssimo anisado que lhe dá mais profundidade aromática. Na boca é muito directo, fresco, mineral (xisto molhado), harmonioso e elegante. É daqueles que apetece beber sempre mais um copo ;)

HassoPor sua vez o Hasso Tinto 2018 (6.90€, 89 pts.) de cor vermelha gema-grenã exibe ameixa preta, amoras maduras, frutos do bosque, esteva e urze. No palato é sumarento, macio (taninos redondos e secos), com boa acidez, elegância e mineralidade (xisto partido). Tamanha elegânica fez com que acompanhasse na perfeição um prato de Quinoa, bulgur, caldo de marisco e camarões grelhados.

HassoOs vinhos Hasso são macios, elegantes, finos e descomplicados mas que não deixam de transportar o apelo selvagem do terroir a que pertencem. Têm uma excelente relação preço/qualidade e marcas identitárias muito fortes, que não são nada fáceis de encontrar em vinhos desta gama de preços. O rótulo é super bem pensado e original, até pela junção das características do cão e dos vinhos, e que permite que o Hasso ande por aí numa aventura, viajando em garrafas e a conhecer locais onde nunca esteve, a ver o que há por aí...

Quinoa, bulgur, caldo de marisco e camarões grelhados
-Deitem as cascas e cabeças de camarão numa frigideira com um fio de azeite e um dente de alho picado. Deixem cozinhar. Adicionem à frigideira um pouco de polpa de tomate, para lhe dar mais cor e consistência. Juntem também um pouco de brandy. Deixem refogar e vão pressionado as cabeças com um garfo para que o suco das cabeças se liberte. Cozinhem durante 30 minutos. Coem o caldo para uma tigela com a ajuda de um passador;

-Levem a ferver um grande volume de água com sal. Juntem a Quinoa e Bulgur (usei a mistura da Tipiak) e deixem cozer fervendo durante 12 minutos. Decantem de modo a ficarem com a quinoa e bulgur sem água. Voltem a introduzir no tacho, acrescentem manteiga, pimenta, um pouco de noz-moscada e o caldo de marisco. Cozinhem por 2 minutos.